quarta-feira, abril 06, 2011

 

Editorial

Nas últimas edições, servi-me da metáfora futebolística para, opondo os dois concelhos de Barroso, falar de desenvolvimento local. Concluí pela superioridade de Boticas, tal como as estatísticas oficiais (INE e CCDR-N) concluem. Em primeiro lugar, porque Boticas conseguiu atrair para o seu concelho empresas de média dimensão que dão emprego a centenas de pessoas, sobretudo emprego feminino, e um ordenado certo ao fim do mês. Quem tem trabalho na sua terra não anseia por sair dela. Montalegre pôde fazer igual, mas preferiu não o fazer, convicto de que – estou a citar a justificação dada numa Assembleia Municipal – “Empresas nunca cá existiram e agora que estão a fechar nos outros sítios não é em Montalegre que se vêm instalar”. Em Boticas também nunca lá existiram e agora existem; e quando nos outros sítios estão a fechar as de Boticas aumentam a produção e contratam mais pessoas, sobretudo emprego feminino. Confesso que estou cansado de falar de futebol e de sofrer por causa dos golos que o Boticas marca ao Montalegre, mas há um dado novo que se não for agora apresentado perde a graça: todos os municípios têm direitos na participação na receita do IRS, até 5%, que os trabalhadores descontam no final do mês ou do ano, mas são muito poucos os que prescindem da totalidade ou de parte dessa receita em favor das populações. Dois desses concelhos são nossos vizinhos, Boticas e Vieira do Minho, e têm por hábito devolver aos trabalhadores a totalidade do dinheiro a que teriam direito, 5% do IRS, contribuindo dessa forma para suavizar as dificuldades de viver no interior e para que as populações se sintam melhor na sua terra. Montalegre, infelizmente, não consta da lista, e isso assemelha-se a mais um golo na baliza do Montalegre, o quarto.

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