sexta-feira, fevereiro 04, 2011

 

Editorial

Montalegre 0 / Boticas 2
Com este título, parece que vou falar de futebol, mas não, vou falar de desenvolvimento rural. E pelo resultado do “jogo”, o leitor já imaginou, quando se comparam os dois concelhos em termos de desenvolvimento, que eu reconheço, com grande pena, a superioridade de Boticas. Instituições como o INE e a CCDR-N também reconhecem.
Efectivamente, na última década, já apelidada de «a década perdida para Portugal», os dois concelhos da sub-região de Barroso foram regidos por dois presidentes diferentes na ideologia e na estratégia seguida. O de Montalegre orientou parte do dinheiro, que da Europa jorrava em torrente caudalosa, essencialmente para o turismo. Muitas pessoas pensaram, então, que os turistas iam invadir Barroso e, como um semeador de mãos largas, iam espalhar dinheiro por todo o lado, bastando às pessoas apanhá-lo. Passado mais de uma década, os turistas não chegaram, o muito dinheiro gastou-se e o essencial (atracção de empresas, fixação de pessoas, valorização da aldeia e do mundo rural) não foi feito. Não fossem a emigração, as pensões e o instinto dos barrosões para a sobrevivência e ver-se-ia a miséria escancarada em cada esquina.
O Presidente de Boticas, na continuação de um bom projecto empresarial que já existia – as Águas de Carvalhelhos – orientou uma pequena parte do orçamento municipal para a atracção de empresas e daí surgiu (além das Águas, que funciona 24 horas por dia) a Fábrica das Cordas, que funciona 24 horas por dia, e a Resat, empresa de tratamento de lixos que foi corrida de Montalegre para Boticas com medo que espantasse os turistas. Agora dá emprego aos botiquenses e a Câmara de Montalegre ainda tem de pagar a Boticas por cada quilo de lixo que para lá envia.
Num concelho pequenino, estas três empresas de média dimensão, aliadas a outras menores que entretanto surgiram (restauração, turismo rural, fumeiro, extracção e lapidação de granito), fixaram pessoas, criaram riqueza e concederam às muitas famílias que lá trabalham um rendimento certo ao fim do mês. E é impressionante que os gastos desta iniciativa, que tão grande proveito trouxe, não tenham sido maiores do que o que Montalegre gasta anualmente com uma festa das bruxas!

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