sábado, abril 18, 2009

 

Destaque


Queima do Judas vai Sobrevivendo à Agonia das Tradições Pascais
A Páscoa é, por excelência, a maior das celebrações Cristãs, porque simboliza a vitória de Cristo sobre a morte através da Ressurreição. Assim, é uma data plena de tradições para os católicos. No entanto, também a religião parece atravessar uma crise e por isso vê agonizar algumas das suas mais importantes tradições desta época: é o caso dos "Autos da Paixão" de Cristo, a Bênção das casas (cada vez mais rara), entre outras. Só a Queima do Judas, uma tradição mais recente, parece estar a ganhar força a cada ano que passa. Será por conseguir juntar de forma quase perfeita o sagrado e o profano?

No passado dia 11, sábado à noite, junto ao Castelo de Montalegre, a tradição voltou a ser renovada, com a realização da Queima do Judas. A Câmara havia desafiado a população para apresentar o melhor "Judas" (e, para o efeito, publicou um regulamento), e as pessoas aderiram. Como já é hábito para outras iniciativas, a concentração de "judas" ocorre na Praça do Município, pelas 20 horas, e depois dá-se o desfile pelo centro da Vila em direcção ao Castelo, onde tem lugar a certame da escolha do melhor Judas e a sua queima.
Queima do Judas: uma tradição popular e quaresmal
"Personificado por um tosco boneco que é ciclicamente imolado num auto-de-fé popular, proporcionando deste modo uma catársica e regeneradora destruição, a insólita "Queima do Judas" consubstancia ainda uma inegável sátira à abstinência quaresmal que, na morte do Iscariotes, encontra a vingança há tanto tempo ansiada. O "apóstolo maldito" serve, deste modo, de bode expiatório dos malefícios da obrigatória frugalidade da Quaresma, bem como de arquétipo daquilo que é velho e gasto e se rejeita ritualmente destruindo-se pelo fogo, pela espada, pelo apedrejamento, pelo afogamento, pelo enterramento!
Como em outros costumes semelhantes, também aqui simbologias arcanas se aditam a funcionalidades críticas diversas, conjugando-se tudo para fazer destas práticas modelos tradicionais susceptíveis de se perpetuarem até aos nossos dias."

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