quinta-feira, julho 31, 2008

 
Faleceu Rogério Borralheiro Docente e investigador de mérito confirmado

Faleceu dia 26 de Julho, Rogério Capelo Pereira Borralheiro, nascido em Salto, em 10 de Janeiro de 1952. Era sobrinho do Padre João Evangelista Pereira Borralheiro (1870-1994) que paroquiou várias freguesias, incluindo Braga, onde tem o seu nome numa rua São Pedro D’Este. Rogério Borralheiro fez o curso do Magistério Primário que exerceu até se aposentar. Radicou-se em Braga e, sem nunca deixar de ser Professor do Ensino Primário, licenciou-se em História e em Ciências Sociais e fez o Mestrado, na Universidade do Minho, na área da História das Populações. Leccionou no Instituto de Estudos Superiores de Fafe, entre 1999 e 2004. Foi vereador, pelo PSD, na Câmara Municipal e membro da Assembleia de Montalegre, sempre com posições moderadas, privilegiando os interesses dos Barrosões, mais do que os partidários. Esteve ligado a várias associações culturais e de beneficência, quer do concelho quer de Braga. Foi, nomeadamente, Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Salto terra que sempre enalteceu por testemunhos vivos, nomeadamente, através da escrita que exerceu ao longo dos anos, ora em revistas, ora em jornais. Depois de obter formação superior na UM, onde conheceu José Viriato Capela, Henrique Matos e Carlos Prada Oliveira, dedicou-se com eles (e com outros) à elaboração de obras monumentais que fizeram desses investigadores, nomes a permanecer na historiografia portuguesa. Mormente na elaboração de sete volumes sobre as Memórias Paroquiais de 1758 (2003), do Alto Minho (2005), de Vila Real (2006), de Bragança (2007) e mais três volumes já em preparação (Porto, Aveiro e Viseu). Em Março do ano em curso, sempre sob a orientação do catedrático Viriato Capela, Rogério Borralheiro, mais Henrique Matos, trouxeram a público o I de três volumes sobre O Heróico Patriotismo das Províncias do Norte – Os concelhos na restauração de Portugal de 1808. O nome de Rogério Borralheiro vai, obviamente, manter-se nas vultuosas obras da colecção: Territórios, Culturas e poderes do Núcleo de Estudos Históricos da UM, cuja edição foi planeada e conseguida pela dupla: José Viriato Capela e Rogério Borralheiro. Mas não se limitou aos estudos conjuntos. Também produziu, sozinho, As memórias de Montalegre, o Couto de Dornelas, um concelho extinto e o Município de Chaves entre o Absolutismo e o Liberalismo (1790/1834).
Nos últimos anos e já na situação de aposentado, passava o seu tempo a pesquisar, de Biblioteca em Biblioteca, contributos para as obras anunciadas e ainda não editadas e outras de cariz regional, além de preparar artigos científicos, conferências, apresentação de livros. Era uma espécie de jeireiro permanente da historiografia regional.
Muito havia a esperar do seu saber, da sua propensão para a escrita e dos seus hábitos de trabalho. Por outro lado era um académico empenhado, um Barrosão orgulhoso, um Amigo que valia a pena conhecer.
Dia 29 de Julho todos os caminhos foram dar a Salto, onde nasceu e quis ser sepultado. Estou certo de que a Câmara de Montalegre saberá reconhecer o mérito deste Barrosão e que a Junta de Freguesia não deixará de consagrar num espaço público o nome deste modelar Professor e investigador. Sentidos pesâmes à Família. (Barroso da Fonte)


N.R. O jornal "O Povo de Barroso" associa-se, deste modo, ao luto da família a quem endereça os mais sentidos pêsames. Aproveita ainda para agradecer a colaboração de enorme qualidade, mas sempre desinteressada, que o Dr. Rogério Borralheiro teve para com este jornal ao longo de muitos anos, lamentando profundamente a perda tão precoce de tão ilustre barrosão. Homenagem lhe seja feita. Paz à sua alma.


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