sexta-feira, janeiro 18, 2008

 

Destaque 2

XVII Edição da Feira do Fumeiro e do Presunto de Barroso
Terminou no passado domingo a XVII Feira do Fumeiro e do Presunto de Barroso, a 3ª realizada no pavilhão Multiusos de Montalegre. Tal como se esperava, e por uma série de contingências sobre as quais nos debruçaremos mais adiante, a edição deste ano ficou um pouco aquém das expectativas (sobretudo no último dia, onde o S. Pedro também não ajudou) no que diz respeito a visitantes e volume de negócios, não se confirmando os 40 mil visitantes, e o milhão de euros de negócios, dentro do recinto onde os esperavam 62 produtores e mais de 50 toneladas de produtos.
Como já referimos na peça ao lado, a feira foi inaugurada ao fim da tarde de quinta-feira, dia 10, pela Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que antes da cerimónia ainda aproveitou para descerrar uma lápide (das 13 que perpetuam os diários de Torga e a sua passagem por vários pontos do concelho) na praça do Município, e inaugurar oficialmente o Auditório Municipal. Depois dos discursos seguiu-se a tradicional visita aos produtores antes do lanche de produtos tradicionais para os convidados.
Ao longo dos 4 dias do evento, além da venda, sobretudo de fumeiro, mas também de pão, mel e batatas, houve muita animação nas tasquinhas e dentro do recinto da feira, com os grupos do concelho, o teatro Filandorra, cantares ao desafio, concertinas, fados, e até o bem conhecido humorista Canto e Castro (que chega até nós todos os dias nas vozes do contra-informação da RTP). Também não faltou a chega de bois na tarde gelada de Domingo.
Além de membros do Governo, outros políticos passaram por Montalegre, como Paulo Portas, líder do CDS-PP, um habitué deste certame, e que aproveitou a presença na feira para lançar um desafio ao Presidente da ASAE, António Nunes, para ir à Assembleia da República, explicar-se acerca das extremas exigências para os pequenos produtores de fumeiro e outros produtos tradicionais (e que tem ajudado a agonizar alguns eventos como o de Montalegre), além de algumas infelizes declarações como aquela de que "metade dos restaurantes em Portugal terão de fechar", o que pode gerar o caos na nossa economia já tão fragilizada, segundo o líder do CDS. Paulo Portas salientou que era favorável a políticas de higiene e saúde pública mas exigiu saber "o que é regulamento e aplicação da lei e o que é abuso e espectacularidade", pois acha que "é necessário separar o trigo do joio", concluiu.
De facto, algum excesso de zelo da ASAE, e também das finanças, lançou o medo e insegurança nos produtores de fumeiro e foi a principal razão de este ano apenas se apresentarem 62, quando já foram quase 200. Ninguém nega que é bom haver fiscalização e a parte da segurança alimentar nunca poderá ser descurada, mas as exigências da organização já eram mais ou menos elevadas nessa matéria. Prova disso mesmo foi a rejeição de menos de 1% dos produtos que entraram na feira deste ano, indicação dada pela equipa de inspecção liderada pelo veterinário municipal Domingos Moura. A apresentação e higiene dentro do recinto também tem melhorado muito, os produtores têm a preocupação de usar luvas e batas, proteger o fumeiro das "mãos alheias", e também já todos têm a situação mais ou menos regularizada perante as finanças e o ministério da agricultura. Mas todas estas exigências são demasiadas para os mais pequenos produtores (e mais idosos), aqueles que de facto têm a sabedoria e fazem o fumeiro genuíno/tradicional, aquele que deu a fama à região e à feira. Esta pequena e exigida "industrialização", também tem vantagens, é um facto: oferece mais rendimentos às pessoas que investem neste sector e pode criar mais empregos, mas a médio/longo prazo, vai ter efeitos nefastos para a feira do fumeiro, e este ano já foi um bocado a prova disso. Se não houver apoios no QREN para este sector, sobretudo para a formação, para o investimentos em cozinhas e aparelhos que ajudem a satisfazer as exigências da ASAE, o quadro pode ser negro.
Entretanto, na segunda semana de Janeiro saiu um decreto-lei que pode ser parte da solução para o problema, e pode permitir o regresso de alguns produtores, pois permite a venda de certos produtos tradicionais, em certames do género (de apenas 2 a 3 dias) e em determinadas épocas do ano, como é o caso. Compete à organização da Feira aproveitar este furo (e outros que surjam) e dar um novo fôlego em 2009 ao maior evento da nossa região.

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