sexta-feira, junho 22, 2007

 

Opinião

A cartilha para o desenvolvimento do Alto Tâmega

No último dia de Maio foi apresentado no Auditório da Câmara Municipal de Chaves um livro que merece ser reflectido. Chama-se «A Formação Profissional e o Desenvolvimento Económico Regional» e tem a assinatura de João Carlos Carvalho Franco, que nasceu em Angola em 1970 e se fixou em Chaves, onde constituiu família. Licenciado em Gestão, aí se iniciou no ensino secundário e superior (Salamanca e UTAD). Entretanto obteve o Mestrado em Estudos Económicos e Sociais, com a defesa da tese «Impacto Económico e Social da Formação Profissional na Região do Alto Tâmega», na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. João Franco, que continua a leccionar, resolveu publicar em livro parte dessa investigação científica que apresentou aos Flavienses na última tarde de Maio. Com essa síntese académica, desenvolvida numa perspectiva de epistemologia da prática da formação profissional, pretende contribuir para a análise do impacto das instituições de formação profissional no tecido empresarial da região do Alto Tâmega. Pretende-se com essa iniciativa dar resposta às diversas interrogações em torno do Ensino Profissional questão que pode colocar-se por estas interrogações: - qual é génese do Ensino Profissional em Portugal? Que enquadramento tem este modelo de educação relativamente aos restantes? Que contributos para a qualificação de recursos humanos na Região estudada? Qual o nível de empregabilidade destes formandos junto do tecido empresarial? Que impacto teve na região, ao nível económico e social este modelo de formação profissional? Quais as perspectivas de futuro para o desenvolvimento integrado da região do Alto Tâmega?
A leitura destas trezentas e tal páginas, patrocinadas pela Câmara Flaviense, permitem concluir que é inseparável o impacto da formação profissional com a problemática do desenvolvimento regional. É em torno desta bidimensionalidade objectiva que o estudo de João Franco decorre e deixa os Transmontanos em geral, e os noroestinos em particular, a reflectir, rumo aos próximos tempos que vão continuar a ser de crise profunda. No resumo prévio João Franco que entretanto prepara o doutoramento em Gestão e Direcção de Empresas e Marketing na Faculdade de Ciências Empresariais da Universidade de Vigo, explica que «o objectivo desta investigação é reflectir o impacto das instituições de formação profissional – Escola Profissional e Centro de Formação Profissional, na formação do capital humano para o tecido empresarial de região. Neste contexto abordamos aspectos relevantes do Alto Tâmega, como: demografia, território, emprego, formação profissional e economia, numa perspectiva de desenvolvimento integrado». Para tanto contribuiu o funcionamento, em Chaves, da Escola Profissional e o Centro de Formação Profissional do IEFP, permitindo auscultar os formandos e os formadores, mais o tecido empresarial que completa a trilogia a indispensável à realidade sociológica. Apresentou a obra o Doutor Américo Peres (UTAD).
O signatário desta nota de leitura regozija-se com este valioso documento, na medida em que foi o fundador, primeiro funcionário e responsável do Centro de Emprego (durante mais de duas décadas sedeado no Largo do Anjo). Foi esse Centro (do, então, SNE) que cobriu os concelhos de Chaves, Montalegre, Boticas e Valpaços, a pedrada no charco para que mais tarde dele adviesse o Centro de Formação Profissional. Teve, inicialmente, uma dupla função: responder e corresponder à crise de emprego e de mão de obra qualificada. Os empresários passaram a ser visitados regularmente por técnicos que procuravam fazer o ajustamento entre a oferta e a procura. Ao mesmo tempo encaminhavam para o estrangeiro, por via legal, aqueles que arriscavam tudo, face ao desânimo. Muitas centenas foram e regressam hoje, com palavras de gratidão, sempre que nos encontram. Outros eram submetidos a exames psicotécnicos, frequentando, no exterior, cursos que lhes foram muito úteis. Chaves tem hoje um Centro de Formação e uma Escola Profissional que muito têm dado à região. Mas ainda não é suficiente, porque a desertificação cada vez é mais evidente, o comércio e a indústria não resistem à concorrência mais poderosa e a agricultura já não encoraja os poucos resistentes. Por tudo isto há que valorizar e apoiar estudos que verdadeiramente falem de uma realidade sociológica que a todos deve preocupar. Daí a importância deste tipo de leitura.
Opinião de Barroso da Fonte

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